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Ficha Técnica
Classificação e características biológicas
Ordem
Hemiptera
Família
Cicadellidae
Espécies no BR
E. kraemeri (principal) · E. facialis
Tamanho adulto
3–4 mm
Modo de dano
Sugador + injeção de toxinas
Hospedeiros
+50 espécies (feijão, soja, algodão, batata...)
Ciclo de vida
20–30 dias
Gerações/ano
6–10
Cond. favoráveis
25–30°C · período seco
Monitoramento
Armadilha amarela adesiva + inspeção da face inferior
Estágio crítico
Ninfa 1º a 3º instar
Risco resistência
Baixo ao neem · Médio a piretroides
Culturas afetadas e eficácia do neem
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Como Identificar
Adultos, ninfas/larvas e sintomas na planta
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Adulto
3–4 mm, corpo triangular quando visto de cima, coloração verde-brilhante com manchas amareladas. Salta e voa rapidamente ao ser perturbado. Repousa obliquamente na face inferior das folhas.
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Ninfa
Semelhante ao adulto, verde mais uniforme, sem asas desenvolvidas. Movimenta-se lateralmente ao ser perturbada — comportamento diagnóstico. Concentrada na face inferior das folhas novas.
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Sintomas (Hopperburn)
Bordas das folhas com amarelecimento que progride para necrose em forma de cuia. Folhas enrolam para cima. Em feijão, ataque severo causa queda de flores e vagens. Sintoma não tem cura após manifestado.
  • Amarelecimento das bordas das folhas que progride para necrose (queima) — hopperburn
  • Folhas enroladas para cima, com aspecto de cuia — sinal clássico de toxina injetada
  • Queda de flores e vagens em feijão — impacto direto na produção
  • Ninfas saltando ao sacudir galhos — inspecionar face inferior das folhas jovens
O hopperburn não tem cura: uma vez que a toxina foi injetada e os danos aparecem nas folhas, nenhum produto — nem o neem, nem inseticidas convencionais — reverte o dano. O tecido morto permanece morto. Por isso o controle preventivo com neem, antes dos primeiros sintomas, é a única estratégia eficaz.
Como monitorar a presença na lavoura

Inspecionar a face inferior das folhas novas semanalmente. Para monitoramento em escala, use armadilha amarela adesiva — pendurada na altura do dossel, captura adultos alados migradores e permite detectar a chegada da praga antes dos primeiros sintomas de hopperburn.

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Como usar
Pendure 1 armadilha amarela adesiva a cada 1.000 m², na altura das folhas do topo. Inspecionar face inferior das folhas jovens semanalmente — ninfas se concentram ali e não fogem tão rápido quanto adultos.
Quando aplicar o neem
Ao detectar as primeiras ninfas na face inferior ou adultos nas armadilhas — antes de qualquer sintoma de hopperburn aparecer. O limiar de ação é 2 adultos por planta.
Monitorar as bordas da lavoura primeiro. A cigarrinha-verde migra em voo das bordas para o interior da lavoura. As plantas das bordas são sempre as primeiras atingidas — e a inspeção dessas plantas é o sistema de alerta precoce mais simples e eficaz.
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Ciclo de Vida
Onde e quando o neem é mais eficaz em cada estágio
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Ovo
5–7 dias
Neem: Baixa
Dentro do tecido vegetal (endofítico) — protegido de aplicações foliares
🟢
Ninfa 1º
3–4 dias
Neem: Alta
Na face inferior das folhas — sem proteção, máxima vulnerabilidade ao neem
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Ninfa 2º
3–4 dias
Neem: Alta
Inibição de ecdisona impede progressão — ninfa morre antes de atingir o 3º instar
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Ninfa 3º
3–5 dias
Neem: Alta
Ainda responsiva — manter aplicação para cortar geração
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Ninfa 4º
3–5 dias
Neem: Média
Próxima ao adulto — deterrência alimentar reduz injeção de toxinas
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Adulto
20–40 dias
Neem: Média
Deterrência alimentar — menos toxinas injetadas, menos hopperburn
Alta — janela preventiva principal
Média — manter para conter dano
Baixa — sem resposta relevante
O ovo fica protegido dentro do tecido vegetal. A fêmea usa o ovipositor para inserir os ovos dentro da nervura das folhas — onde o neem não alcança. Por isso a eficácia começa no 1º instar (após eclosão) e a aplicação preventiva é fundamental para cobrir essa janela.
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Danos e Impacto Econômico
Prejuízos diretos e indiretos
🌿 Danos Diretos
  • Injeção de toxinas durante a alimentação causando hopperburn
  • Bordas das folhas com necrose permanente — dano irreversível
  • Queda de flores e vagens em feijão sob alta pressão
  • Redução de até 50% na produtividade do feijão em surtos não controlados
⚠️ Danos Indiretos
  • Transmissão de fitoplasmas (amarelão do feijoeiro em algumas regiões)
  • Plantas enfraquecidas com menor tolerância a estresse hídrico
  • Abertura de feridas que facilitam infecção secundária por fungos
🟡 O hopperburn é irreversível: ao contrário da maioria dos danos de pragas, a queima das bordas causada pelas toxinas da cigarrinha não regride com o controle da praga — o tecido morto não volta. Lavouras de feijão com surto não controlado na floração podem ter perdas de 30–50% na produção.
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Como o Neem Controla
Mecanismos de ação da azadiractina nesta praga
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Inibição de muda
Ninfas de 1º a 3º instar são altamente vulneráveis à azadiractina, que bloqueia a ecdisona e impede a progressão dos instares. A praga morre antes de se tornar adulta reprodutiva.
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Deterrência alimentar
Adultos em contato com folhas tratadas reduzem a sucção e a injeção de toxinas — o mecanismo direto do hopperburn. Menos alimentação = menos toxinas injetadas = menos dano foliar.
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Antioviposição
Fêmeas evitam ovipositar em plantas tratadas, reduzindo a próxima geração antes que ela nasça — efeito especialmente importante porque os ovos ficam protegidos dentro do tecido vegetal.
🐝
Preserva inimigos naturais como Anagrus sp. e Gonatocerus sp.
Anagrus spp. e Gonatocerus spp. são microhimenópteros parasitóides dos ovos de cigarrinhas. Tytthus mundulus é um percevejo predador das ninfas. Inseticidas de amplo espectro eliminam esses aliados. O neem, aplicado no horário e concentração corretos, tem impacto muito menor sobre esses parasitóides — mantendo o biocontrole natural funcionando em paralelo ao programa preventivo.
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Protocolo por Cultura
Dosagem, frequência e observações
Produto com 1.000 ppm de azadiractina: 4 mL/L. Frequência de 7 dias em períodos de alta pressão. Aplicar obrigatoriamente na face inferior das folhas — onde as ninfas se concentram. Adicionar espalhante adesivo (0,5 mL/L).
CulturaDosagemFrequênciaEficáciaObservação
🫘 Feijão4 mL/L7 diasAltaCrítico na floração — toxinas afetam diretamente as vagens
🫘 Soja4 mL/L10 diasAltaMonitorar nas bordas — primeiro ponto de ataque
🧶 Algodão4 mL/L7 diasMédiaAplicar no horário de menor temperatura
🥔 Batata4 mL/L7 diasMédiaTransmite fitoplasma do amarelão em algumas regiões
🍅 Tomate3 mL/L10 diasMédiaMenor impacto econômico — monitorar para MIP
🥜 Amendoim4 mL/L7 diasMédiaFase de frutificação — inspeção semanal
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Boas Práticas de Aplicação
O que faz a diferença na eficácia do programa
Horário certo
Final da tarde (16h–18h) ou início da manhã (6h–8h). A azadiractina degrada em até 6h de luz UV direta.
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Cobertura completa
Cobrir tanto a face superior quanto a inferior das folhas — e brotos apicais quando pertinente. Cada praga tem um microhabitat preferido na planta.
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Espalhante adesivo
Sempre 0,5 mL/L. Superfícies cerosas e tecidos jovens repelem caldas sem surfactante.
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Preventivo, não curativo
O neem não reverte danos já causados. Age impedindo novos danos — aplicação antes dos primeiros sintomas é sempre mais eficaz.
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Alterne produtos
A cada 3 aplicações de neem, 1 de sabão potássico (1%). Sinergismo e prevenção de adaptação comportamental.
🐝
Preserve os aliados
Aplique fora do horário de atividade dos principais inimigos naturais de cada praga — parasitóides, predadores e polinizadores.

Por que escolher o Neem?

6 razões que valem para qualquer praga e qualquer cultura

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Sem resistência
Mais de 40 anos de uso sem relatos documentados. Age por múltiplos mecanismos simultâneos.
🐝
Seletivo
Preserva polinizadores, parasitóides e predadores naturais quando aplicado corretamente.
🛡
Seguro
Baixa toxicidade para mamíferos. Sem carência relevante. EPI simplificado.
Aceito no orgânico
Aprovado pelo MAPA para produção orgânica certificada. Não compromete a certificação.
📈
Tendência regulatória
Restrições crescentes a neonicotinóides no Brasil e Europa. O neem é a alternativa regulamentada.
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Compatível com MIP
Integra com controle biológico, armadilhas e feromônios. Pilar do Manejo Integrado de Pragas.
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Curiosidades
O que poucos sabem sobre cigarrinha-verde

A cigarrinha-verde injeta saliva tóxica durante a alimentação — e é essa toxina, e não a remoção de seiva, o principal mecanismo de dano. A toxina bloqueia o floema da planta, impedindo o transporte de fotossintatos. O resultado é a necrose que progride das bordas para o centro da folha, irreversível mesmo após o controle da praga.

Ao ser perturbada, a ninfa da cigarrinha-verde não salta nem voa (como o adulto) — ela corre lateralmente para o lado oposto do ramo ou folha, ficando fora do campo de visão. Esse comportamento é diagnóstico da família Cicadellidae e facilita a identificação em campo: ao aproximar a mão de uma folha e ver pontos verdes correndo para o lado, são ninfas de cigarrinha.

A cigarrinha-verde é um inseto migrante a curta distância: as primeiras plantas atingidas são sempre as da borda da lavoura, do lado voltado para vegetação nativa ou pasto. A migração progride para o interior em semanas. Por isso, o monitoramento intensivo nas bordas na fase vegetativa inicial detecta a chegada antes do interior ser afetado.

Além da Empoasca kraemeri, o Brasil tem outras cigarrinhas agronomicamente importantes: Hortensia similis (pastagens) e Dalbulus maidis (milho — vetor do enfezamento). O manejo com neem é eficaz para Empoasca, mas Dalbulus maidis tem comportamento e hospedeiros muito diferentes. Confirmar a espécie antes de definir o programa é importante para culturas como milho.

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