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Ficha Técnica
Classificação e características biológicas
Ordem
Thysanoptera
Família
Thripidae
Espécies no BR
F. occidentalis · T. tabaci
Tamanho adulto
1–2 mm
Modo de dano
Raspador-sugador + vetor de vírus
Hospedeiros
+200 espécies vegetais
Ciclo de vida
14–20 dias a 25°C
Gerações/ano
10–15
Cond. favoráveis
25–30°C · baixa umidade
Monitoramento
Armadilha azul adesiva + inspeção de flores
Estágio crítico
Ninfa 1º e 2º instar
Risco resistência
Médio ao neem · Alto a piretroides
Culturas afetadas e eficácia do neem
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Como Identificar
Adultos, ninfas/lagartas e sintomas na planta
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Adulto
1–2 mm, corpo alongado e estreito com asas franjadas (filamentos longos nas asas). Coloração amarela a marrom-escura. Visível apenas com lupa — a olho nu aparece como um ponto movendo-se nas pétalas.
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Ninfa
Semelhante ao adulto, sem asas, coloração amarelo-creme. Concentrada em flores e pontos de crescimento. Pré-pupa e pupa ocorrem no solo — não na planta.
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Sintomas
Ponteado prateado nas folhas (células raspadas), manchas claras irregulares e faixas de coloração alterada. Flores deformadas ou com bronzeamento. Frutos com manchas prateadas ou rugosidade superficial.
  • Ponteado prateado ou esbranquiçado nas folhas — sinal de células raspadas pelo inseto
  • Flores deformadas, com pétalas manchadas ou bronzeadas — inspecionar com lupa
  • Frutos com estrias ou manchas prateadas superficiais — dano estético e de qualidade
  • Mosaico, bronzeamento ou necrose foliar — suspeitar de transmissão de Tospovírus (TSWV)
Armadilha azul para monitoramento: diferente de outras pragas que preferem amarelo, o tripes tem atração natural pela cor azul. Use armadilhas azuis adesivas para detecção precoce — são muito mais eficazes que as amarelas para esta praga.
Como monitorar a presença na lavoura

Inspecionar flores e brotos com lupa é o método mais preciso. Para monitoramento em escala, use armadilhas azuis adesivas — plaquinhas azuis cobertas de cola, penduradas na altura das flores. O tripes tem atração natural pela cor azul e fica preso ao pousar. Vistorie semanalmente.

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Como usar
Pendure 1 plaquinha azul adesiva a cada 1.000 m², na altura das flores e brotos. Disponível em lojas agropecuárias. Inspecione com lupa para confirmar a praga nas armadilhas.
Quando aplicar o neem
Ao encontrar qualquer adulto nas armadilhas ou os primeiros sintomas de ponteado prateado nas folhas — o ciclo é curto e a população cresce rápido.
Tripes pupa no solo — não só na planta. Parte do ciclo ocorre no solo ou em restos vegetais. Complementar as aplicações foliares com rega da base das plantas com calda de neem (drench) aumenta o controle das pupas.
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Ciclo de Vida
Onde e quando o neem é mais eficaz em cada estágio
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Ovo
3–5 dias
Neem: Baixa
Depositado dentro do tecido vegetal (endofítico) — protegido da ação direta do neem
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Ninfa 1º
2–3 dias
Neem: Alta
Ainda na superfície foliar e floral — janela de máxima eficácia do neem
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Ninfa 2º
2–3 dias
Neem: Alta
Inibição de ecdisona impede progressão — ninfa morre antes de pupificar
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Pré-pupa
1–2 dias
Neem: Média
Cai no solo ou em restos vegetais. Aplicação de neem no solo (drench) atinge este estágio
Pupa
3–5 dias
Neem: Média
No solo — neem aplicado em drench na base das plantas atinge pupas
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Adulto
30–45 dias
Neem: Média
Deterrência alimentar reduz o dano e a transmissão de vírus durante a visita às flores
Alta — janela preventiva principal
Média — manter para conter dano
Baixa — sem resposta relevante
O ovo fica protegido dentro do tecido vegetal. A fêmea usa o ovipositor para inserir os ovos dentro da epiderme foliar ou petal — onde o neem não alcança. Por isso a eficácia é máxima nas ninfas de 1º e 2º instar, nos primeiros dias após a eclosão, quando ainda estão na superfície.
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Danos e Impacto Econômico
Prejuízos diretos e indiretos
🌿 Danos Diretos
  • Raspagem de células epidérmicas — ponteado prateado característico
  • Deformação de flores, pétalas e frutos jovens
  • Manchas e estrias superficiais que reduzem valor comercial
  • Queda de flores em infestações severas
⚠️ Danos Indiretos
  • Transmissão de TSWV (Tospovírus) — sem cura após infecção
  • Bronzeamento e necrose em pimentão e tomate
  • INSV (vírus da mancha necrótica do impatiens) em ornamentais
  • Plantas infectadas devem ser removidas — não há tratamento curativo
🚨 TSWV não tem cura: o Tospovírus transmitido pelo tripes causa bronzeamento, necrose e morte de plantas de pimentão e tomate. Uma vez infectada, a planta não se recupera. A prevenção com neem é a única estratégia eficaz — tratamento curativo não existe.
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Como o Neem Controla
Mecanismos de ação da azadiractina nesta praga
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Inibição de muda
Ninfas de 1º e 2º instar, ainda na superfície das flores e folhas, não conseguem completar a metamorfose quando em contato com a azadiractina. Morrem antes de pupificar.
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Deterrência alimentar
Adultos nas flores tratadas reduzem ou param a raspagem da superfície celular — o que diminui diretamente a transmissão do TSWV, que ocorre durante a alimentação.
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Ação no solo
Aplicação de calda de neem no solo (drench) atinge pré-pupas e pupas que completam o ciclo fora da planta — complementando o controle foliar.
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Preserva predadores naturais de tripes
Amblyseius cucumeris e Neoseiulus cucumeris (ácaros predadores) e Orius insidiosus (percevejo predador) são os principais inimigos naturais do tripes em cultivos protegidos. O neem, aplicado fora dos horários de liberação desses agentes, não afeta significativamente esses aliados — diferente de inseticidas convencionais que os eliminam.
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Protocolo por Cultura
Dosagem, frequência e observações
Produto com 1.000 ppm de azadiractina: 5 mL/L foliar + 5 mL/L drench no solo. Frequência mais curta (5 dias) devido ao ciclo rápido da praga. Adicionar espalhante adesivo (0,5 mL/L). Aplicar preferencialmente no final da tarde.
CulturaDosagemFrequênciaEficáciaObservação
🫑 Pimentão 5 mL/L5 dias Alta Flores e face inferior das folhas + drench no solo
🍅 Tomate 5 mL/L5 dias Alta Flores e brotos — vetor do TSWV crítico
🌹 Rosa 4 mL/L7 dias Alta Pétalas em formação — dano estético severo
🧅 Cebola 5 mL/L5 dias Alta Folhas + drench (pupas no solo)
🥬 Alface 3 mL/L7 dias Média Roseta central — inspecionar periodicamente
🍓 Morango 4 mL/L7 dias Média Flores e frutos em desenvolvimento
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Boas Práticas de Aplicação
O que faz a diferença na eficácia do programa
Horário certo
Final da tarde (16h–18h) ou início da manhã (6h–8h). A azadiractina degrada em até 6h de luz UV direta.
🍃
Face inferior
A maioria das pragas se concentra na face inferior das folhas. Aplicar só na face superior elimina a eficácia do produto.
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Espalhante adesivo
Sempre 0,5 mL/L. A superfície cerosa das folhas repele caldas sem surfactante — o produto escorre sem contato eficaz.
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Preventivo, não curativo
Esperar a infestação explodir é tarde demais. Iniciar na fase vegetativa inicial intercepta os estágios mais vulneráveis.
🔄
Alterne produtos
A cada 3 aplicações de neem, 1 de sabão potássico (1%). Sinergismo e prevenção de adaptação comportamental da praga.
🐝
Preserve os aliados
Aplique fora do horário de voo das abelhas e dos principais predadores naturais da praga em questão.

Por que escolher o Neem?

6 razões que valem para qualquer praga e qualquer cultura

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Sem resistência
Mais de 40 anos de uso sem relatos documentados. Age por múltiplos mecanismos simultâneos.
🐝
Seletivo
Preserva polinizadores, parasitóides e predadores naturais quando aplicado corretamente.
🛡
Seguro
Baixa toxicidade para mamíferos. Sem carência relevante. EPI simplificado.
Aceito no orgânico
Aprovado pelo MAPA para produção orgânica certificada. Não compromete a certificação.
📈
Tendência regulatória
Restrições crescentes a neonicotinóides no Brasil e Europa. O neem é a alternativa regulamentada.
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Compatível com MIP
Integra com controle biológico, armadilhas e feromônios. Pilar do Manejo Integrado de Pragas.
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Curiosidades
O que poucos sabem sobre tripes

Diferente do pulgão que perfura o tecido com estilete, o tripes raspa a superfície epidérmica com mandíbulas assimétricas e absorve o conteúdo celular liberado. As "pratas" nas folhas são exatamente as células esvaziadas e oxidadas — uma assinatura diagnóstica única da praga.

Para monitoramento de tripes, armadilhas azuis adesivas capturam de 3 a 5 vezes mais adultos do que as amarelas. O tripes tem receptores visuais com sensibilidade preferencial ao comprimento de onda do azul — uma característica evolutiva relacionada à busca de flores.

Ao completar o 2º instar, a ninfa do tripes cai da planta e pupa no solo ou em restos vegetais — um comportamento incomum entre insetos de pequeno porte. Isso torna o controle exclusivamente foliar insuficiente em lavouras com alta pressão de infestação.

O Tospovírus transmitido pelo tripes é sistêmico — uma vez dentro da planta, se move pelos vasos e não pode ser eliminado por nenhum produto. Plantas infectadas devem ser removidas imediatamente para evitar que sirvam como reservatório. A prevenção com neem (reduzindo a população de vetores) é a única estratégia eficaz disponível.

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